sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Poemas do Viandante (330)

330. DE TODOS OS MESTRES QUE A VIDA TROUXE

De todos os mestres que a vida trouxe
o maior tem por nome silêncio,
um exercício de contenção na vacuidade
do mundo, a casa fria onde habitamos.
Dele aprendemos o essencial,
a cor solícita da primeira madrugada,
o atear do fogo com a caruma dos pinheiros,
a respiração da mulher que mais amamos.

Se chega a noite e lemos à luz do candeeiro,
o silêncio é a música que retine no horizonte,
o poder que habita cada uma das palavras,
o rei que distribui felicidade pelos súbditos.
Ao mergulhar nele, o corpo torna-se mais leve,
suspende a gravidade e ergue-se aos céus,
pássaro de penas translúcidas,
um cristal de fogo sobre a terra em transe.

E na mistura que todo o amor consigo traz,
amo em ti o silêncio que arde no corpo,
as palavras suspensas se te toco,
a plácida brancura a vibrar na pele.
Aprendi, ó mais querido dos mestres, todos
os segredos, os que me quiseste revelar,
para lá da fuligem que escurece a terra
e das ilusões com que desejo enganar-me.