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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A porta do esquecimento

Chema Cobo - Amnesic Gate (1986-87)

Entrar pela porta do esquecimento é uma condição fundamental para a vida do espírito. Aquilo que não se esquece salta sempre como obstáculo no caminho. Uma distracção, um desvio, uma alienação. Entrar pela porta do esquecimento é um exercício de purificação e, ao mesmo tempo, a criação de uma clareira para que a realidade brote plena e total.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Esquecer a sua natureza

Juán José Vera - Ansiedad (1951)

A ansiedade é compreendida, geralmente, como uma perturbação provocada pela eminência de um perigo ou de alguma coisa desagradável ao indivíduo. Se nos adentrarmos na arqueologia do termo encontramos a disposição para a inquietação. Ora esta disposição para estar inquieto tem o seu centro não no que está fora do indivíduo mas naquilo que ele traz em si e ocultou de si mesmo. O perigo de se alienar da sua verdadeira natureza, o perigo de se esquecer de si. 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Na sombra do esquecimento

Sol LeWitt - Scribbles on color (1990)

Recordemos o fundamental. As nossas pegadas no mundo não passam de pequenos rabiscos feitos na areia duma praia com mar tormentoso. Convencemo-nos de que somos os heróis duma gesta gloriosa, mas mal inscrevemos no mundo o tracejado da nossa acção, logo a água e o vento conspiram e nos devolvem para a sombra silenciosa do esquecimento. Chegados aí, estamos em nossa casa.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

A viagem e o ócio

Edward Burne Jones - Peregrino à porta da ociosidade (1875-1893)

Um dos grandes perigos que assaltam o viandante nasce da confusão entre a viagem e o ócio. A viagem não é uma excursão turística, o deambular onde preenchemos a mente ociosa com a alteridade do desconhecido. A viagem é o exercício da pobreza de espírito, a prática do despojamento, a ascese que leva ao esquecimento de si. Não há porta que seja fim, pois todo o tempo é tempo de milícia.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Uma lúgubre realidade

Leon Frédéric - A era do trabalhador (1895-97)

Como será possível denominar o quadro com o estranho título de A era do trabalhador? O que vemos, em primeiro plano, são mulheres e crianças e não encontramos vestígio de trabalho nem figuras que possam preencher o conceito de trabalhador. O que nos diz então este quadro sobre a era do trabalhador? Diz-nos que a actividade do homem se reduziu à sua condição natural, à pura corporalidade, à mera estratégia da sobrevivência da espécie, à preocupação com a reprodução da vida. A era do trabalhador é o tempo histórico em que o homem, despido da espiritualidade, se entrega plenamente aos afazeres da reprodução e da sobrevivência. A era do trabalhador é a confissão de uma dificuldade pela qual a espécie passa. Todas as suas forças se concentram nas dinâmicas biológicas ligadas ao corpo. A era do trabalhador, contrariamente ao que se propaga nas diversas retóricas sociais, não é a do reconhecimento da dignidade do trabalho e do trabalhador, mas o tempo em que a actividade do homem perdeu o sentido espiritual que dava dignidade tanto ao trabalho como àquele que o executava. A luminosidade do quadro de Leon Frédéric oculta, na beleza dos corpos e na esperança trazidas por novas vidas, a lúgubre realidade do homem moderno, a sua oclusão na pura corporalidade, o esquecimento daquilo que faz dele mais do que um animal.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Esquecimento

Esquecer todos os projectos, os fins e os meios, esquecer-me até de esquecer, e deixar acontecer o puro devir do Espírito, segundo a lei que não conheço, a vontade que não domino, o fim que me ultrapassa. O esquecimento do esquecimento, eis a divisa que brilha no pendão.