Mostrar mensagens com a etiqueta Festa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Festa. Mostrar todas as mensagens

domingo, 21 de agosto de 2016

Jardins e festas

Louis Valtat - Festa no jardim (1888)

O jardim é um símbolo fundador da cultura ocidental. A dor e a morte vêm com a expulsão da humanidade do jardim do Éden. Facilmente se entende a ligação entre jardins e festas. O jardim, ao contrário do espaço que lhe é exterior, é o lugar da felicidade e do prazer inocente, o sítio da festa. Sempre que as festividades humanas se realizam num jardim, há como que uma actualização da felicidade mítica  e do prazer inocente perdidos. Toda a viagem do homem é, em última análise, uma demanda do jardim originário de onde se sente expulso.

terça-feira, 8 de abril de 2014

O desejo infinito

Joshua Benoliel - Bairro Grandella (Festas dos Santos Populares) - Estrada de Benfica - Lisboa (início do séc. XX)

Há sempre nas festividades humanas, por faustosas que sejam, um rasto de desilusão, como se o prazer e a alegria esperados fossem outros e não aqueles que estão prometidos e são proporcionados. A incomensurabilidade entre o desejo humano e as suas possibilidades de realização é, na verdade, infinita, pois se a festa, aquilo que é o fruto mais raro da vida material, é finita, o nosso desejo é infinito e só no infinito pode ser saciado.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Sobre a festa

Raoul Dufy - Dia de festa (1906)

Perdemos o sentido da festa. Esta perda deve-se à banalização daquilo que deveria ser do âmbito do excepcional. Pode-se dizer, como Walter Benjamin o disse da arte, que a festa perdeu a aura. Perder a aura significa que se dessacralizou e se desligou daquilo que, no fundo do ser humano, a ligava ao essencial. O que procura o viandante? Recuperar o sentido último e decisivo da festa. Significará isso que a festividade deva ser remetida para certos e escassos dias do calendário? Também não. Isso é já o início da degradação. Recuperar o sentido último e decisivo da festa significa tornar todos os dias festivos. Mas não é isso banalizar a festa? Não, se cada dia for vivido com um dia de excepção, um dia em que o espírito se abre ao essencial e ao decisivo. O que causa a banalização da festa, a sua perda de aura, não é a multiplicação das suas ocorrências, mas o vazio com que nos entregamos a ela.