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terça-feira, 17 de maio de 2016

Do discurso profético

Ernst Barlach - Prophet Writing (1919)

Entende-se demasiado rapidamente por profecia uma antecipação do futuro, uma acção que torna presente a expectativa do que virá. Seria então um salto no tempo. Dever-se-á, porém, desconfiar desta propensão para viajar, ainda que por inspiração, no tempo. O essencial do discurso profético não está no que há-de vir mas naquilo que, aqui e agora, já é. Profetizar aquilo que é significa romper com a ilusão que, como um véu, nos desvia o olhar da realidade para o desejo que habita em toda a expectativa.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Idade de ouro

André Louis Derain - L'âge d'or (Paradis terrestre, la chasse) (1939)

A temporalização do mito da idade de ouro assume uma dupla perspectiva. Para os não-modernos, a idade de ouro reside no passado e, para o homem, ela é uma reminiscência. Para os modernos, a idade de ouro está no futuro, no que há-de vir. É uma expectativa. O que faz, porém, a pregnância do mito da idade de ouro, ou de qualquer outro, é a sua não ligação ao tempo. O mito não remete nem para o passado nem para o futuro, mas para a vida interior e espiritual do homem. Não há idade de ouro fora de si-mesmo, fora da coincidência de si consigo mesmo. Aí, o mito toma a figura da promessa e da aliança.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Pura presença

Karl Schmidt-Rottluff - Antiguidades (1928)

As tradições espirituais não são colecções de antiguidades, nem o passado aquilo que as determina e, dessa forma, haveria de determinar o viandante. O espírito deve desprender-se da sua fixação no passado - assim como da ânsia do futuro - e abrir-se ao puro acontecimento, à emergência daquilo que é na sua eterna novidade, à pura presença daquilo que o convoca ao caminho.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Folhas mortas

Ernest Biéler - La Ramasseuse de feuilles mortes (1909)

Colher as folhas mortas para as transformar em fertilizante que, ao ser devolvido à terra, alimentará a vida. Quando Platão diz que uma vida não examinada não merece ser vivida, é de folhas mortas que ele está a falar. Examinar a vida vivida é recolher as folhas mortas e, através de severo e meditativo exame, dar-lhe um sentido que alimentará a vida a viver. Nada do que se fez, pensou ou omitiu é sem préstimo. Pelo contrário, reside nessas estranhas folhas que o tempo arrancou de nós a matéria viva que a vida exige para entrar nesse reino inquietante a que damos o nome de futuro.