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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Meditação breve (32) - Esperança

Pete Turner - New Dawn, Heimaey, 1973

O momento em que o dia irrompe é sempre o símbolo de uma esperança. A exuberância da luz rasga o véu da escuridão e anuncia aos homens um novo começo, e a esperança não é mais do que isso, o desejo de um novo começo, a possibilidade do inédito a redenção pelo retorno à inocência.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

O canto do cisne

Ignacio Díaz Olano - Cisnes (1927)

Sabe-se há muito que a lenda do canto do cisne (estes seria mudos, mas antes de morrer entoariam o mais belo dos cantos) não corresponde a qualquer realidade. Esta não verdade empírica não deixa, porém, de conter a sua verdade. Um dado mundo espiritual, ao entregar-se na noite da história, entoa a sua mais bela canção. Mais do que anunciar as trevas que se aproximam, o canto do cisne sublinha a esperança do dia que, terminada a noite, triunfará no esplendor da aurora. O canto do cisne não é uma canção de morte mas de esperança.

domingo, 9 de agosto de 2015

As primeiras horas

Max Pechstein - Early Morning (1914)

As primeiras horas do dia sempre foram pressentidas pelo homem como um princípio de esperança. Não apenas a esperança de que a luz se suceda à noite e às trevas, mas também a expectativa de que o novo dia seja a hora em que se corte com a rotina quotidiana, e uma nova vida brote da árvore desgastada da existência.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A expectativa do reino

José Alfonso Morera Ortiz - Adveniat regnum tuum (1994)

A expectativa da vinda de um reino que não aquele que existe é um dos traços constitutivos da esperança humana. O equívoco é pensar que esse reino é no além. Não, o reino é aqui, aqui mesmo, neste pobre aqui e agora. Melhor, o além não é noutro lugar e noutro tempo senão aqui e agora.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A estrela da tarde

William Turner - A estrela vespertina (c. 1830)

No regime existencial que pertence ao homem não há luz que não contenha em si um traço de escuridão, não há trevas que não sejam pontuadas pela luz. Não está dentro das condições de possibilidade do homem suportar o absoluto, seja o da luz ou o das trevas. Quando o sol se põe e as trevas ameaçam tomar conta do mundo, o brilho da estrela da tarde recorda-nos que, para nós, as trevas não são absolutas nem eternas. A luz é ainda um princípio de esperança que, nos momentos mais negros, guia a viagem espiritual do homem.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Como terra seca

JCM - Time on space (2007)

Como a terra seca, também o espírito do homem abre fracturas, sinais de longos períodos de seca, onde a espera cava zonas obscuras. Ali está a dor, o abandono, a desistência, mas também a esperança de que algo venha iluminar o espírito e trazê-lo para paisagens mais verdejantes.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Um traço de luz

JCM - Origem da Vida (2014)

Um traço de luz irrompe nas trevas e, lentamente, dissemina-se na planície da noite. Onde tudo parece ausência, lentos grãos de vida brotam da escuridão. Sementes carregadas de esperança anunciam a via, a verdade e a vida.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Da natureza da esperança

Bill Perlmutter - Nazaré, Portugal (1956)

Há sempre esse momento de espera, uma suspensão para que os olhos se abram para a desmedida do horizonte e tracem novas rotas ou encontrem aquilo que, tão esperançosamente, aguardam. A esperança não é outras coisa senão o olhar que se projecta para o caminho que nos solicita ou para aquilo que nos aguarda.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Para lá da esperança e do medo

Lawrence Alma-Tadema - Between Hope and Fear (1876)

A expectativa domina a vida dos homens. A necessidade vital de prever o que vai acontecer acaba por dividir o homem entre o medo e a esperança, as formas negativa e positiva de expectativa. A viagem, porém, só começa quando se abandona qualquer expectativa, quando se deixa de lado tanto o medo como a esperança. Nessa hora, começa a aceitação. Aceitar, porém, é a mais difícil das aventuras.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O lugar que me espera

Guillermo Pérez Villalta - Allì (1988)

É sempre lá ou ali o lugar que nos espera, como se a viagem fosse perpétua e o lugar, aquele que agora - em qualquer agora - ocupamos, fosse uma mera passagem. Ali é o lugar que torna a realidade do meu lugar irreal e me faz mover no caminho. E em cada passo dado, o ali avança um passo, como se ele esperasse mais e mais do viandante. Ali é o lugar que me espera.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Modelos arquetípicos

Pablo Picasso - Família à beira-mar (1922)

Raramente se percebe como os símbolos e arquétipos religiosos dão forma à vida e à cultura, muito para lá daquilo que é estritamente religioso. Este quadro de Pablo Picasso só ganha sentido pleno se enquadrado no arquétipo da Sagrada Família. O facto do artista ter pintado o quadro significa já a sacralização daquilo que nele se torna presente. Todo o acto artístico é um acto de sagração daquilo que apresenta como conteúdo da obra de arte. Mas esta sacralidade da família só se torna possível numa cultura que possua um arquétipo sacralizante da família. Se todo o par constituído por um homem e uma mulher é uma actualização do par arquetípico Adão e Eva, também toda a família representada por um homem, uma mulher e uma criança actualiza a Sagrada Família do cristianismo, colocando na criança, na sua correspondência com o Menino Jesus, o princípio de esperança que anima a humanidade. 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A casa do desespero

Brull Carreras - Desierto de Atacama

O deserto é a casa do desespero. E o desespero, hoje em dia, está por todo o lado. Não vamos pensar, contudo, que a nossa solidão interior consiste na aceitação da derrota. Não podemos escapar de seja do que for por consentir tacitamente em sermos derrotados. O desespero é um abismo sem fundo. (Thomas Merton, Thoughts in Solitude)

Devemos pensar que a relação do homem com o deserto, com o vazio, pode ter uma dupla natureza. O vazio pode ser sentido como a casa do desespero, de um desespero que nasce da multiplicidade dos desejos frustrados, das ilusões desfeitas, da errância onde nos perdemos. Mas o vazio interior - a pobreza de espírito - pode ser o lugar da esperança. Esperança que nasce ao libertarmo-nos de tudo o que é ilusório, irreal e, na verdade, irrelevante. Este vazio é aquele que tem o poder de transformar em lugar de esperança aquilo que a vida contemporânea tem o condão de tornar em casa de desespero.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Silêncio


Silenciar o tumulto do pensamento, deixar lentamente que ele se desvaneça, e esperar na escuridão do espírito que uma palavra venha iluminar as trevas. O que vier virá na liberdade, livre e inesgotável, tão inesgotável como o silêncio que sobre o espírito cai.

domingo, 22 de maio de 2011

Esperar

Por vezes, sem algo que o anuncie, tudo se torna sem sentido, como se de dentro de vísceras invisíveis viesse sobre a vida um cheiro putrefacto a nada. Não a um nada que indique a plenitude da ausência de odor ou gosto, mas de um nada que toma as células por dentro e as dissolve, corrompendo a vontade, liquefazendo os neurónios, tomados agora por uma sonolência sem fim. Como se abre o ser para que isto entre em nós? O ridículo. Tudo se torna risível e qualquer pretensão, gesto, desejo, mostra de nós o burlesco. Esperar a graça, desesperar por ela, ser incapaz de levantar a voz ao Alto. Dormir dias sem fim, deseja o corpo, reivindica, absurdo e ousado, o cérebro, condescende um coração mole. Dormir como se nada importasse. No silêncio da noite, erguer os olhos ao céu estrelado e esperar que a ferida se feche e uma voz ressoe no fundo do ser.