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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

De foz em foz

Lyonel Feininger - Ao longo do rio (1952)

A vida espiritual do homem ocidental foi demasiado marcada pela imagem heraclitiana da impossibilidade de mergulhar duas vezes nas mesmas água de um rio. A cintilação da dialéctica de Heraclito, consubstanciada nessa ideia, ocultou aquilo que será mais decisivo. E o mais decisivo não é tentar mergulhar nas mesmas águas, mas deixar-se ir ao longo do rio, aprender a flutuar e a fundir-se no fluxo que leva da nascente à foz, e desta, tornada nova nascente, até à próxima foz.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Dialéctica do livro

John Yardley - Choosing a book

Num primeiro momento, estamos convencidos que escolhemos os livros que nos cabem ler para nos apropriarmos daquilo que eles contêm. Com a passagem do tempo, a ilusão desfaz-se e antropomorfizamos esses mesmos livros: são eles que nos escolhem. O segundo momento da dialéctica é o do magnetismo, do poder magnético que uma obra exerce sobre o seu potencial leitor. A sabedoria começa a nascer quando se descobre a unilateralidade de ambos os momentos. Nem nós escolhemos os livros, nem estes nos escolhem a nós. O terceiro momento é o da compreensão que o livro nos é enviado como um mediador. Aquele que envia e aquele que recebe são postos em relação pelo livro. Para aquele que recebe, o livro é sempre a voz da alteridade. Uma vezes surge como promessa; outras, como injunção.

sábado, 19 de abril de 2014

Sábado de Aleluia

Agnes Martin - Canción (1962)

A transição entre a morte e a libertação dessa morte é feita pelo canto de louvor. É isso que encontramos no denominado tríduo pascal, como se a transição entre a morte e a ressurreição se fizesse cantando. Isto permite-nos compreender uma outra forma de dialéctica, diferente daquela que tem no seu cerne a negação. O negativo é agora o ponto de partida, mas o homem através do canto de louvor - Aleluia! - ergue-se à plenitude da vida, à emancipação da morte e à afirmação da vida.