terça-feira, 31 de julho de 2012

Poemas do Viandante (315)

315. NÃO TENHO TERRA NATAL OU PÁTRIA

não tenho terra natal ou pátria
desconheço o lugar a que pertenço
o corpo pesa e esmaga-me o olhar
e de todas as coisas que vi
nada sei para além de um nome
o rasto de um ruído esquivo
reflexo da sóbria luz das estrelas

amo a solidão que nunca tive
e as tardes entregues à meditação
longas as noites abandonado ao frio
ao vento vindo do deserto
às mulheres na dádiva do amor
amo cada hora onde te pensei
casa ancestral de uma estirpe sem glória

sinto-me perdido neste gélido descampado
sem searas nem chaminés benfazejas
a pulsação débil
o regurgitar da vida pela boca da morte
desisti de saber o que é a verdade
seja um mar de pássaros altivos
ou uma pátria de gente extraviada