terça-feira, 17 de julho de 2012

Poemas do Viandante (302)

João Queiroz - Desenhos a carvão

302. DESENHAVA CLAREIRAS NA FLORESTA

desenhava clareiras na floresta
e se o cansaço crescia
deixava-me ali dormir
exposto à luz
cerzido ao chão
esperava o milagre

se chovia
o corpo fundia-se na lama
o vento soprava
e a terra acolhia-me
mísero filho pródigo
ao pó devolve a flor recebida
a promessa de uma aurora
a esperança sôfrega de um amor