segunda-feira, 23 de julho de 2012

Poemas do Viandante (308)

308. O PUDOR VINDO DO FIM DOS TEMPOS

o pudor vindo do fim dos tempos
tomava-te conta das faces
ardia suavemente se anoitecia
bago de romã e espiga de milho
murmúrio interior do sangue
no subterrâneo da vida

recapitulemos os dias de amor
a devassa do olhar
a esperança de uma promessa
longos passeios de mãos dadas
num mundo subitamente vazio
aberto aos desígnios do sentimento

se chovia na inclemência do inverno
a casa era um abrigo de seda
ali ouvia-te cantar
um hino em acção de graças
e uma oração nascia-te nos lábios
um relâmpago que me iluminasse o coração