sexta-feira, 18 de abril de 2008

Confissão

Terá a minha alma a “mais vil de todas as necessidades”, a necessidade da confissão, a de “ser exterior”? Mas a confissão, seja qual for a modalidade que tome, não será antes o reconhecer de um desconhecimento? Só se confessa aquele que se desconhece e, nesse desconhecimento, decide procurar-se. Confessar-se é construir um texto. Melhor, a confissão é um mapa do desespero e um indício da ignorância. Se escrevo como se me confessasse não é para me exteriorizar. Escrevo para descobrir um sinal, talvez uma breve indicação do caminho para mim. Não, a confissão é apenas um espelho sombrio onde a alma errante e incógnita espera descobrir o caminho que do mundo leva a si.

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