sábado, 26 de março de 2016

Ao pôr-do-sol

Giovanni Boldini - Angeli

A história conta-se em poucas linhas. A verdade fica à consideração do leitor. Ia pela praia, num daqueles passeios que se dão pelo entardecer. Como sempre, caminhava para a duna atrás da qual - temos a ilusão - o Sol se põe. Não havia vento e a ondulação era suave. As gaivotas, por terra, calavam-se. O dia entregava-se e o crepúsculo descia pela baía. Ao desaparecer o Sol, elevou-se não a noite mas luzes em convulsão. Não era uma tempestade. O ritmo do coração acelerou quando decidi subir ao cume da duna. As luzes convulsas não cessavam, mas tudo era silêncio, um silêncio pesado. Ao chegar ao cimo, o leitor é livre de não acreditar, vi enormes seres alados. Havia neles, na face e no corpo, demasiada humanidade. Eram anjos. Flamejantes, coriáceos, combatiam entre si.