terça-feira, 26 de novembro de 2013

A consciência melancólica

Paul Serusier - Eva bretã (1890)

A solidão melancólica de uma Eva abandonada no paraíso permite perceber uma outra faceta do mito do pecado original. Não é apenas a conquista de uma certa sabedoria trazida pela experiência. É também um acto de ruptura, de cisão de uma unidade originária. Separada, Eva, toma consciência de si, mas toda a consciência de si parece ser uma consciência infeliz. Não foi apenas a morte que o acto de desobediência de Adão e Eva trouxe consigo. Foi ainda uma consciência melancólica tingida pela nostalgia desses tempos em que ainda não se sabia quem se era.