quarta-feira, 14 de março de 2018

Aquele que rodopia

Leonard Freed, Whirling Dervishes, Konya, Turkeye, 1976

É tão estranha a minha situação que não haverá quem acredite no que aconteceu. Não hesito em chamar paraíso ao lugar onde estou, mas o melhor é não abusar da benevolência do leitor. O que se passa é que estou no céu e não morri. Após uma crise grave, entrei numa comunidade de dervixes. Empobreci e a minha vida tornou-se casta e austera. Segui os preceitos e orei ao Misericordioso. Aprendi, ao dançar, a abandonar-me. Um dia, ao meditar rodopiando como é habitual na nossa ordem, senti que a gravidade deixara de ter poder sobre o meu corpo. Então, enquanto girava, fui elevado aos céus. Aqui estou, grato ao Todo Poderoso, e sem esperança que o leitor acredite em mim.

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