terça-feira, 14 de outubro de 2014

Da função do sonho

Noriko Kiyozuka - Cena de um sonho (1976)

Há duas maneiras bem distintas de considerar o sonho, tomando-o na sua polissemia, na vida espiritual dos homens. Esta pode ser vista como um sonho, no sentido de um corte com a realidade, aquela realidade que se abre aos homens no estado de vigília. Aqui, porém, o sonho toma o sentido de uma utopia, de uma ruptura com o concreto da vida humana. É uma ilusão alienante da situação em que se vive, como se o estado de vigília desse lugar a uma espécie de sonambulismo. Um segundo modo prende-se com a própria actividade onírica. O sonho surge como uma metamorfose da realidade, a qual se constitui em enigma. Esta função enigmática do sonho abre-se à meditação. Melhor, ela apela à meditação para que aquele que medita encontre resposta aos enigmas que ele  a si mesmo coloca. Estes enigmas não são outra coisa do que encruzilhadas no caminho que segue.