quarta-feira, 22 de março de 2017

A rainha da noite

Jeanloup Sieff - Queen, London (1964)

Caminhava assim vestida pelo cais. A silhueta recortava-se na luz dos candeeiros e, nos homens que a viam, soltava-se um desejo intenso e inexplicável. Como sabe, são duros os homens do mar mas nunca nenhum se aproximou dela. Correram boatos. Seria louca, dizia-se. Outros apostavam que era o fantasma de uma rainha, cujo nome não recordo. Havia quem afirmasse que era a própria morte que meditava sobre quem levaria. O certo é que os homens enlouqueciam de desejo quando ela passava lenta e silenciosa. Olhavam-na fascinados. Não foram poucas as raparigas que, nos bordéis do porto, apareceram mortas nas noites em que ela vinha.