segunda-feira, 20 de junho de 2016

Relógios e rios

André Louis Derain - Big Ben (1906)

Não percebe por que falo da sensatez dos londrinos? Não sei onde li, se é que alguma vez a li, a ideia de que todos os relógios trazem consigo um princípio de irrealidade. Não está a compreender? A questão é simples. Os relógios obedecem a uma lógica cíclica. Os ponteiros retornam, no tempo aprazado, ao mesmo lugar, como se fossem uma promessa do eterno retorno do mesmo. Veja, porém, como o Big Ben se combina com o fluir do rio. Para que não nos deixemos embalar pela doce ilusão da eternidade, o fluxo das águas, com a palavra de Heraclito ao longe, lembra-nos, sensatamente, minha amiga, que não mais viveremos este momento.