sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A enclausurada

Deborah Turbeville, Self Portrait, Versailles, 1981

Enlouqueço. Sim, quase louca. Onde ponho os pés? Fechada, fechada aqui, para sempre. Para sempre? O que é a eternidade? E aqui o que é? Lá fora, o mundo espera-me. As pessoas falam e eu aqui presa. Se ao menos fosse um convento... São oito da manhã, quantas horas até o dia acabar? Caminhar, não parar. Não posso esquecer. Talvez fosse melhor esquecer, ou então morrer. Se eu soubesse cantar, mas não quero cantar. Quero rasgar as veias e deixar o sangue... ou cantar, talvez cantar fosse um remédio ou talvez não. Não posso mais, vou andar devagar, muito devagar e contar os passos. Quantos passos até ao fim? Um, dois, três, quatro...