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| Hans Baumgartner, Der Milchmann. Zürich, 1938 |
Enquanto as crianças se purificam na espera matinal, o leiteiro empurra o seu carro pelas ruas da cidade. Traz com ele a pacificação de uma fome sem nome, a brancura que se derrama em bocas expectantes, um milagre para quem habita o vazio das grandes cidades. Mulheres sem rosto esperam a sua chegada e as portas de casas inconstantes abrem-se à voz daquele que distribui esse leite que fará o delírio de alguns e o tormento de outros. O homem do leite, porém, não pensa em prazeres ou dores, mas no carro que deve empurrar com a força dos braços. É um exercício solitário trasformado num espectáculo para transeuntes distraídos. Caminha. Empurra. Vai de casa em casa, como um marinheiro transita entre portos. Contudo, a presse move-o, e em lugar algum encontra porto de abrigo.

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