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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Sonhos de Verão 8

Vincent Van Gogh, Barcas de pesca cerca de Saintes-Maries, 1888

Brandirão a espada sobre a luz da tarde

e o esplendor dos teus olhos navegará para longe.

 

Uma traineira arrasta nas suas redes o Verão,

a cintilação do Sol nas águas paradas do porto.

 

Resguardo-me na escuna da ventania,

navego o azul do mar em direcção à luz do Sol.


Agosto de 2026

sábado, 8 de agosto de 2026

Sonhos de Verão 7

Juan González Alacreu, Contraluz

Da geração incrédula e perversa, não há memória,

mas a voz compassiva curou a criança lunática.

 

Agosto estende as suas redes sobre o azul do mar,

e um grão de mostarda traz um zéfiro pela terra.

 

Sentado à sombra, debito o rol de milagres,

faço-os nascer de um verbo vazio, iluminam a luz.

 

Agosto de 2026

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Sonhos de Verão 6

Carlos de Haes, Playa de Guethary, 1881 (aproximadamente)

São surdos os que se prostram no templo,

corre-lhes o Estio nas veias, o avaro coração.

 

As marés baixas abrem um deserto na praia.

Se as gaivotas grasnam, não há quem as oiça.

 

Caminho pela senda sombria do crepúsculo,

escuto a voz pregada na estreita cruz da surdez.

 

 Julho de 2026

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Sonhos de Verão 5

Paul Cezanne, Bibemus Quarry, 1898-1900

Na grávida luz da graça, uma terra de pomares,

herança contaminada pelo musgo da abominação.

 

A lira da noite cai sobre o fogoso seio do Estio,

as raparigas abrem-se ao contágio do amor.

 

Infectado, murmuro no bálsamo do vento Norte.

Julho cobre-me o zumbir nascido do desejo.

 

Julho de 2026

 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Sonhos de Verão 4

Otto Scharf, Eifeldorfbrücke, 1908

Raquíticos serão os possantes guerreiros,

tomados pelas convulsões do Verão.

 

A luz cintila nos cardos do Estio,

abre-os à turbina dos olhos do veraneante.

 

Lenhador sem lenha, serrador sem madeira,

fabrico no silvar do Sol o silencio do lar.

 

Julho de 2026

terça-feira, 7 de julho de 2026

Sonhos de Verão 3

Gustave Guillaumet, El Sahara, 1867

O bezerro de Samaria é vento semeado,

espera-o as tempestades de Verão.

 

Entre a infância da cidade cresceu o deserto,

as ruínas soçobram ao peso das areias.

 

Não me consola a água do oceano:

Afasto o olhar, perco-me na linha do horizonte.

 

Julho de 2026

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Sonhos de Verão 2

Vincent Van Gogh, Campo arado, 1888

Quem espera a manifestação em glória

completou a corrida, combateu o bom combate.

 

O ardor dos dia de Junho trouxe aos campos

o resplendor do mundo por criar.

 

Pego no arco e despeço-me da seta.

O meu combate abre-se ao silêncio do alvo.

 

Junho de 2026

domingo, 21 de junho de 2026

Sonhos de Verão 1

Thomas Cole, A view near Tivoli (morning), 1832

A inquieta provação do homem nasce

da obscura mão do Senhor dos exércitos.

 

O Verão chegou como um enviado.

Cobre a Terra com a folhagem do calor.

 

Elevo na noite uma palavra de pedra

e espero a resposta na seda da aurora.

 

Junho de 2026