sexta-feira, 26 de julho de 2024

Sonetos de Verão (4)

José de Almada Negreiros, sem título, 1941 (Gulbenkian)

 Do Verão, saberemos nós a cor,

a certeza das tardes e das noites?

Saberemos da Lua a aparência,

quando Julho progride na jornada?

 

Estações são mistérios ilegíveis,

pelos anjos escritas num caderno

onde a luz resplandece e nos cega,

onde a noite cintila no silêncio.

 

Raparigas perpassam nos meus olhos,

trazem vestes de Estios muito antigos,

eram jovens e belas na memória,

 

eram filhas dum tempo onde Julho

refulgia nos seus olhos e ardia

na secreta paixão nos meus velada.

 

Julho de 2024

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