segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Casa de Verão

Xaime Quessada - Estio (1960)

Um dia muito quente. Não havia uma sombra ou uma fonte. Quase que morri. De súbito, avistei a casa. Enorme, mas sem portas. Apenas janelas. Uma estava aberta. Aproximei-me, havia gente lá dentro. Chamei, não houve resposta. Entrei pela janela, ninguém olhou para mim. Pareciam estátuas, mas respiravam. Havia água e comida. Sentei-me entre eles, comi e bebi. Adormeci sobre a mesa. Acordei manhã cedo, eles lá estavam imóveis. Tornei a comer e, ao sair, levei água comigo. No dia seguinte, voltei ao mesmo lugar. Não havia qualquer casa, apenas um grande carvalho e uma fonte a rumorejar. É lá que paro sempre que ali passo. Virão, estou certo. Devo-lhes a vida.