domingo, 2 de agosto de 2026

A memória do ar (49)

George Seurat, Evening, Honfleur, 1886

O ar rarefeito é uma memória de outros tempos, quando a navegação à vela levava, pelos mares desconhecidos, aventureiros em busca de um nome, da forma de um corpo, do sentido de uma vida. Agora, os oceanos tornaram-se demasiado frágeis para suportar o peso da atmosfera. Benevolente, o ar rarefaz-se a cada dia, para que amanhã ainda existam mares, e os grandes veleiros os possam cruzar, tomados pela melancolia do que passou.

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