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sexta-feira, 13 de maio de 2016

Idade de ouro

André Louis Derain - L'âge d'or (Paradis terrestre, la chasse) (1939)

A temporalização do mito da idade de ouro assume uma dupla perspectiva. Para os não-modernos, a idade de ouro reside no passado e, para o homem, ela é uma reminiscência. Para os modernos, a idade de ouro está no futuro, no que há-de vir. É uma expectativa. O que faz, porém, a pregnância do mito da idade de ouro, ou de qualquer outro, é a sua não ligação ao tempo. O mito não remete nem para o passado nem para o futuro, mas para a vida interior e espiritual do homem. Não há idade de ouro fora de si-mesmo, fora da coincidência de si consigo mesmo. Aí, o mito toma a figura da promessa e da aliança.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

O não expectável

Maria Helena Vieira da Silva - O acontecimento (1972-73)

Duas características marcam aquilo que chamamos acontecimento. Por um lado, o facto de ocorrer, de sobrevir; por outro, a sua natureza contingente, não necessária, meramente eventual. Isto faz do acontecimento, ao olhar comum, alguma coisa não essencial, aquilo que ocorre mas que pode não ocorrer. Esta leitura, todavia, é superficial, pois não tem em conta o carácter de epifania que todo o acontecimento traz consigo. Um acontecimento é a revelação de alguma coisa que, ao manifestar-se, rompe com o hábito e com aquilo que é expectável. O não expectável pode ser muito mais essencial do que aquilo que ocorre segundo as marcas da necessidade.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Para lá da esperança e do medo

Lawrence Alma-Tadema - Between Hope and Fear (1876)

A expectativa domina a vida dos homens. A necessidade vital de prever o que vai acontecer acaba por dividir o homem entre o medo e a esperança, as formas negativa e positiva de expectativa. A viagem, porém, só começa quando se abandona qualquer expectativa, quando se deixa de lado tanto o medo como a esperança. Nessa hora, começa a aceitação. Aceitar, porém, é a mais difícil das aventuras.