Mostrar mensagens com a etiqueta Ascensão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ascensão. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Da simbolização da experiência

Maurice Denis - Le Calvaire (La montée au Calvaire) (1889 )

Em sociedades secularizadas como as nossas tende-se a perder de vista como a simbólica veiculada pelas religiões, metamorfoseada pela arte, fornece modelos fundamentais para compreender a vida e enquadrar a experiência existencial dos homens. Atente-se no quadro reproduzido de Maurice Denis. Na ideia de calvário pensamos o sofrimento e a morte. Tendemos, porém, a esquecer que ele representa uma ascensão. Se dermos atenção a essa ideia de subida, compreendemos então que todo o ultrapassar-se, todo o ascender a uma condição não humana, se faz sob o signo do sofrimento e da morte. O sofrimento de se abandonar o que se conhece e a morte daquilo que, por hábito e convenção social, se julga ser. 

terça-feira, 31 de março de 2015

Sobre mandamentos e imperativos

MC Escher - Ascending and descending (1960)

Quando pensamos no conjunto de mandamentos e imperativos que através das religiões e da filosofia são impostos ao homem, compreendemos o desespero com que a humanidade enfrenta a realidade que é a sua. A vida dos homens parece um ciclo, eternamente repetido, de quedas e ascensões. Descer e subir. Subir e descer. O mandamento e o imperativo nascem então da impotência do homem em interromper o ciclo e evitar, depois de cada ascensão, a queda que se lhe segue. Mas quando a queda não for a continuação da ascensão, o homem já não será um homem e mandamentos e imperativos para nada lhe servirão.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

De degrau em degrau

JCM - Chemins que ne mènent nulle part (2007)

A escada será um dos símbolos que melhor representam a ideia de caminhos que levam a parte nenhuma. Na escada, a imaginação entrevê uma ascensão infinita, um subir de degrau em degrau, num elevar-se sem fim. A escada não leva a parte nenhuma, pois cada degrau será apenas um meio para se alcançar o próximo. Dito de outra maneira, não há fim para a viagem.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

De olhos no cume

Hiroshi Hamaya - Winter starts on peak of Mount Fuji. Japan (1962)

Subir pouco a pouco, elevar-se lentamente, colocar os olhos no cume. Que outro símbolo pode dizer melhor a tarefa do homem na vida? Subir ao cimo da montanha, enfrentar os duros caminhos e abrir o coração para a intempérie. Despojar-se do inútil e ascender confiado na acção gratuita do invisível.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Ascensão e pausa

Johannes Itten - Ascensão e Pausa (1919)

Como pensar a vida sobre a Terra? Se esta é a nossa condição, ela não é a finalidade para a qual o desejo dos homens, de uma maneira ou de outra, se dirige. Ascender, elevar-se, subir a escarpada montanha, eis aquilo que move o mais secreto dos segredos do homem. A pausa na ascensão é o tributo que há que pagar à gravidade, esse desejo que a Terra tem de nela prender os seus filhos.