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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Velhas árvores

Edvard Munch - Old Trees (1923-25)

As velhas árvores exercem sobre a imaginação um fascínio tão grande como o fogo ou a água. Estes remetem para os elementos primordiais que seriam, juntamente com o ar e a terra, como um dia se supôs, os componentes de que todo o resto se fabricaria. A velha árvore fascina a humanidade, contudo, por outro motivo. Melhor, por vários motivos. Ela, devido à sua dimensão, parece ligar o fundo da terra ao próprio céu. Vemo-las como como um eixo de ligação entre mundos. Mas não é só por isso que elas nos fascinam. A sua idade, muitas vezes incomensurável com a esperança de vida dos homens, e a sua impassibilidade acordam em nós o desejo, nunca satisfeito, de enfrentar o tempo e as suas peripécias. Fascinam-nas porque são mensageiras da eternidade perante olhos demasiado conscientes de que são breves e passageiros.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Como as árvores

Liubov Popova - Árvores (1911-12)

Árvores, raízes na terra, ramos erguidos aos céus. Se há alguma coisa que estamos a perder é a percepção da árvore como símbolo da condição humana. Também o homem pertence à terra, é nela que tem as suas raízes, mas é ao alto, aos céus, que deve aspirar. No entanto, o peso da gravidade dobra-lhe a cerviz e, impotente, o olhar perde-se no pó. Será ainda capaz de voltar a olhar para uma árvore e deixar-se instruir por ela?

domingo, 11 de agosto de 2013

Simbolizações

Henri Delacroix - Ciprestes em Gagnes (1908)

A imaginação humana possui tal plasticidade que, querendo-o, de qualquer coisa faz símbolo de uma outra. Esta intermutabilidade simbólica das coisas, devido à plasticidade da nossa imaginação, mostra-nos, não nos mostrando, a ligação que, de forma mais ou menos oculta, existe entre toda a realidade. Mostra-nos ainda outra coisa: a construção de um símbolo é também a produção de uma indicação no caminho que o viandante deve percorrer. 

Tomemos os ciprestes como exemplo. Devido à sua presença nos cemitérios, são associados à morte, talvez à indicação do caminho ascendente da alma que, segundo múltiplas tradições, se eleva para os céus. Se olharmos com atenção para um cipreste, se deixarmos a imaginação entrar no livre jogo das associações somos levados a um outro lado. 

O cipreste simboliza o homem naquilo que tem de terreno (as raízes que o prendem à terra), mas ao mesmo tempo revela-lhe as suas aspirações mais elevadas, ao apontar para o alto. No cipreste descubro a radicalidade da pertença à terra e, ao mesmo tempo, o desejo (dado no carácter erecto, viril da árvore) que aspira ao que é elevado. Talvez por isso tenha sido plantado nos cemitérios, mas o que nele se manifesta não é a morte, mas a vida, uma vida desejante, potente, elevada. A vida, aprendemos, é um elevar-se da terra às alturas.

sábado, 27 de julho de 2013

Árvore sagrada

Antonio Muñoz Degrain - El arból sagrada

Na expressão árvore sagrada não devemos ver o sagrado como uma adjectivação extrínseca - que se junta por uma qualquer hierofania - à árvore. A experiência ancestral do homem é a de ver já em cada árvore uma manifestação do sagrado, um símbolo de algo que ultrapassa em muito a mera experiência empírica. Juntas, as árvores, formam a floresta, essa mesma que ecoa no verso de Baudelaire L'homme y passe à travers des forêts de symboles.