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| Harry Callahan, Chicago, ca.1950
Árvores sem folhas
sobre um manto de neve.
Segredos de Inverno.
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quarta-feira, 13 de maio de 2020
segunda-feira, 11 de maio de 2020
Diálogos morais 38. Abandono
sábado, 9 de maio de 2020
quinta-feira, 7 de maio de 2020
Meditação Breve (126) Entregues à Fortuna
terça-feira, 5 de maio de 2020
A Sarça Ardente - 18
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| Ana Peters, Homenaje C.D.F., 1995-98 |
As paredes florescem
de dor,
se o sol da manhã
as toca com lanças de
silvas e sargaços.
Uma mulher caminha
presa na sombra
e leva nos dedos anéis
roubados ao ardor da
aurora.
Extenuado, hesito na
vereda a seguir
e recolho-me na gruta da
tarde.
Pego no tear do tempo e
teço as túlipas do Verão.
Março de 2020
domingo, 3 de maio de 2020
O seu mundo
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| Horst P. Horst, Elsa Schiaparelli, c. 1934 |
Casei
com ela seis meses depois de a conhecer. Foi amor à primeira vista. Recíproco,
pelo menos foi o que pensei. Uma vez por outra, dizia que não pertencia a este
mundo e sorria. Não havia enigmas no sorriso. Não tivemos filhos, não tinha
chegado a altura, pensava eu. Passava muito tempo diante do espelho, mas não
mais que outras mulheres. Entre espelhos e mulheres há um trato muito antigo e
com ela não seria diferente. Um sábado, antes de sairmos para um jantar de
amigos, ela estava diante do espelho. Olhava-o fixamente. De súbito, o seu
corpo é sugado pela imagem do espelho e funde-se nela. Volta-se e começa a
afastar-se. Olha para mim e diz este é o meu mundo. Nunca voltou.
sexta-feira, 1 de maio de 2020
Diálogos morais 37. A recusa
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| Mac Adams, Mystery #17, 1976 |
- Por que razão haveria de ir contigo?
- Não estás aqui para isso?
- Há limites para tudo, até eu tenho os meus limites.
- Não terei problemas em tornar a compensação mais interessante.
- Dispenso eufemismos.
- Diz o teu preço.
- Esquece, nunca acompanharia ninguém com umas botas dessas.
quarta-feira, 29 de abril de 2020
Haikai do Viandante (392)
segunda-feira, 27 de abril de 2020
Meditação Breve (125) Da leveza
sábado, 25 de abril de 2020
A Sarça Ardente - 17
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| Tal-Coat, [Paisaje], 1954 |
A cidade esconde-se
dos pássaros,
deixa-os perdidos
em volteios de sombra
e sangue.
A cidade ergue-se em
segredos
suspensos nos jardins
trazidos pelo fim do Inverno.
A cidade escorre em
praças vazias,
tragada pelo tumulto
dos meus passos a
fervilhar de ambrosia.
Março de 2020
quinta-feira, 23 de abril de 2020
Impressões 51. A realidade
terça-feira, 21 de abril de 2020
Histórias sem nexo 7. Dualidades
domingo, 19 de abril de 2020
Haikai do Viandante (391)
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Meditação Breve (124) O uno e o múltiplo
quarta-feira, 15 de abril de 2020
A Sarça Ardente - 16
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| Jacinta Gil Roncalés, Composición en fríos, 1991 |
Deixemos um louvor à
terra,
ao aroma
das primeiras chuvas,
os cardos a despontar
nos dedos da noite.
Somos exilados e em
peregrinação
levamos no vazio
os círios colhidos
em silêncio no lago da
memória.
Na neve há uma coroa
de água,
a brancura
oblíqua da alma,
os lábios a latir na
luz do coração.
Março de 2020
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segunda-feira, 13 de abril de 2020
Micronarrativa (31) A verdade
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| Edward Weston, Meraux Plantation House, Louisiana, 1941 |
Durante muito tempo foi um lugar vibrante. As gerações sucediam-se, presas à certeza da continuidade. A casa era renovada ao gosto de cada época, sem que perdesse a sua unidade, a luz que a guiava. O último membro da família, porém, morreu sem filhos nem herdeiros. A estirpe cansou-se e a casa encontrou a sua verdade no abandono e na ruína.
sábado, 11 de abril de 2020
quinta-feira, 9 de abril de 2020
Cansaço
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| Duane Michals, Empty New York, 1964 |
Não, está enganado. Não foi nenhuma ameaça. Não havia guerra
nem epidemias no horizonte, a vida corria como sempre. As pessoas cansaram-se.
Sim, cansaram-se das outras, do trânsito, do ar irrespirável e foram-se embora.
A cidade foi-se esvaziando e hoje não tem mais moradores do que uma pequena
aldeia. Para onde foram? Ninguém sabe. Os que aqui ficaram não se interessaram
pelo destino dos que partiram. Não temos televisão, nem imprensa, não ouvimos
rádio. Caminhamos pelas ruas, observamos os lugares vazios e podem passar-se
meses sem que avistemos outro ser humano. Raramente trocamos palavras. Se
alguém morre, o mais certo é que não haja quem disso se aperceba. Também nós
estamos cansados.
terça-feira, 7 de abril de 2020
Diálogos morais 36. O tempo
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| Constantine Manos, Shepherds with goat. Crete, Greece, 1964 |
- Que o tempo passe.
- Não é isso que ele faz continuamente?
- Nem sempre.
- Nem sempre?
- O tempo existe para nos contrariar. Quanto mais desejamos que passe, mais ele permanece imóvel.
- Não é verdade, olha um relógio. Não brinca com o nosso desejo, avança indiferente e inexorável.
- Um relógio não é o tempo.
domingo, 5 de abril de 2020
A Sarça Ardente - 15
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| Sam Francis, Around the Blues, 1957-62 |
A discórdia nupcial
das nuvens
ressoa em trovejos
na lonjura sem medida dos
campos.
Cavalos pastam
silêncios de erva
e uma sirene ecoa
ao longe, sobre a
caruma dos pinheiros.
O ardor da solidão
chama por mim,
enquanto espero
do anjo o anúncio do
alvor da aurora.
Março de 2020
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sexta-feira, 3 de abril de 2020
Haikai do Viandante (390)
quarta-feira, 1 de abril de 2020
O homem entre ruínas
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| Dmitri Kessel, A man walking through the remains of an ancient temple in Athens. 1944 |
Todas as manhãs era visto a passear entre as ruínas. Verão ou Inverno, chovesse ou fizesse sol, ao raiar da aurora ele aparecia e passeava, durante umas horas, para cá e para lá. Um passo lento, parecia querer absorver o espírito do lugar em cada aspiração. Chamavam-lhe, não sem ironia, o homem entre ruínas. Não se conhece quem tenha trocado alguma palavra com ele, ou quem dele se tivesse aproximado. Formou-se uma tradição de distanciamento e era nessa distância que ele ia e vinha. Um dia, desavisado, um forasteiro dirigiu-lhe a palavra. Ele estancou, olhou-o perplexo e todo o seu corpo se tornou imponderável. À vista de todos, ergueu-se aos céus e desapareceu atrás de uma nuvem.
segunda-feira, 30 de março de 2020
Pintura e haikus (15)
sábado, 28 de março de 2020
Impressões 50. Uma mulher sombra
quinta-feira, 26 de março de 2020
A Sarça Ardente - 14
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| Elmer Bischoff, #13, 1974 |
Rogo ao deus do
Inverno e da noite
uma luz de rosas
sobre o esplendor da
montanha.
Perco-me no sabor de
uma laranja,
o fruto bebido em
sorvos
de âmbar e gomos de
maresia.
A caravela do desejo
fez-se ao mar
e no oceano encontrou
um cardume na poalha
dos teus dedos.
Março de 2020
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terça-feira, 24 de março de 2020
Histórias sem nexo 6. A mulher muda
domingo, 22 de março de 2020
Impressões 49. Música
sexta-feira, 20 de março de 2020
Haikai do Viandante (389)
quarta-feira, 18 de março de 2020
Diálogos morais 35. Simbolismo
segunda-feira, 16 de março de 2020
A Sarça Ardente - 13
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