quarta-feira, 5 de julho de 2017

A sombra

Toni Schneiders - Shadow (1956)

Também eu pensava assim. Temos dificuldade em libertarmo-nos do que aprendemos. Sabida uma coisa, ela torna-se um hábito e este é uma segunda natureza. Durante muitos anos sempre pensei a sombra como um espaço privado de luz devido à interposição de um obstáculo opaco. A tradição ensinava-o e a experiência confirmava-o. Uma dia, porém, vi a minha própria sombra a pairar entre mim e a fonte de luz. Não era possível, mas ela ali estava contra todas as probabilidades. Olhei-a durante muito tempo, até que percebi que ela era apenas a projecção dos meus pensamentos. Nessa altura dissolveu-se, mas volta todos os anos no dia do meu aniversário.