quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Uma incongruência

Luis Pintos Fonseca - Cristo

A aguarela do pintor pontevedrino Luis Pintos Fonseca (1906 - 1959) tem o poder de tornar patente a incongruência histórica do cristianismo. Como foi possível que Cristo crucificado, a simbolização da humilhação, do abandono, da irrelevância social, se tornasse, juntamente com a herança helénica, o núcleo dinamizador da mais poderosa civilização material e cultural que alguma vez se manifestou sobre este pobre planeta? Olhamos a aguarela e vemos na morte - e morte na cruz - a semente de um florescimento exuberante. Quando o discurso do mundo se centra no fausto e no poder, não deixa de ser incongruente e causar perplexidade que aquilo que o Ocidente é tenha a sua origem num Deus que veio para morrer.