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| Julia Margaret Cameron, Enid, 1874 |
As águas descem da montanha e são um rio que, na sua vertigem, arrasta a sombra que as gerou, para a estender pelo mundo, até que o mar as receba na voragem das ondas e na paz que reside em toda a dissolução.
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| Julia Margaret Cameron, Enid, 1874 |
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| Joaquín Torres García, La fuente de la juventud, 1906 |
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| Edward Steichen, Balzac, the Open Sky - 11 P.M. 1908 |
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| Joaquín Mir, Dia de vent |
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| Edouard Hannon, Die letzten schönen Tage, 1897 |
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| Georg Einbeck, Mutter und Kind, 1898 |
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| Francis Picabia, Amanecer en la bruma, Montiguy, 1905 |
e em mim levanta-se a vegetação do dia.
Sois o sal da terra, a luz do mundo, canta-se
na cintilação do fogo, no vidro da candeia.
O troar da tempestade cessou: a súplica
da terra, o rumor do céu, a revolta do mar.
Fevereiro de 2026
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| Eve Arnold, Bar girl in a brothel in the red light district. Havana, Cuba, 1954 |
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| Odilon Redon - Combate de centauros |
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| Léonard Misonne, Souvenir de Londres, 1930-1940 |
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| Fernando Lemos, sem título, 1999 (Gulbenkian) |
sem o cântico do sol e o ofício da luz.
Esquecidos da ira final, os homens
caminham nas veredas de aço e fósforo.
Enlouquecidas, as aves partiram
para o sol do Sul e as ravinas de luz.
Fevereiro de 2026
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| A, van Dijk, Een Rustig Uurtje, 1906 |
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| Bernardo Marques, Inverno (Gulbenkian) |
Resguardo-me do frio da intempérie
na incandescência da solidão.
Ouvem-se no golfo da memória
as súplicas pela misericórdia do alto.
E na rasura da floresta dormem
animais presos à escassez do Inverno.
Janeiro de 2026
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| O. Freiherr von Loudon, Untitled Three-Color Landscape, 1900 |
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| Winslow Homer, A Summer Night, 1890 |
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| Maxfield Parrish, Atlas Landscape, 1907 |
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| Lucien Aigner, Albert Einstein, 1940 |
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| Eduardo Zamacois y Zabala, La visita inoportuna |
- Pode-se entrar?
- Hum… como?
- Se se pode entrar, passar a porta?
- Não, não estou preparado para visitas.
- Que raio, homem, que preparação precisas para receberes um
velho amigo?
- Não é oportuna a visita.
- Estás a pintar?
- Sim, sim, claro, o que estaria aqui a fazer?
- Posso ver o que estás a fazer?
- Não, agora não.
- Uma surpresa, então?
- Surpreender é o desejo de qualquer artista.
- Então a inspiração tocou-te.
- Envolveu-me e eu a ela.
- Óptimo. Casa-te com ela, para não a deixares fugir.
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| Istvan hanga, Ombre et appareil (shadow and camera), ca. 1933 |
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| João Queiroz, sem título, 2005 (Gulbenkian) |