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| Francesca Woodman, Untitled, 1976 |
HOMO VIATOR
sábado, 13 de junho de 2026
Câmara discreta (35)
quarta-feira, 10 de junho de 2026
Ecos da Primavera 11
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| Ludwig David, Canal Bei Delft, 1902 |
Onde repousa a taça com o vinho da memória
está a herança sem fim dos dias alegres,
as noites esculpidas na pedra da eternidade.
Observo o jardim no solfejo da Primavera,
colho as últimas rosas da melancolia.
O universo expande-se para fora de si,
deixando um rasto de estrelas,
para cobrir os céus com a cintilação da luz.
Junho de 2026
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Arqueologias do espírito 40
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| H. R. Taylor, Easton’s Beach, 1891 |
domingo, 7 de junho de 2026
Ecos da Primavera 10
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| Howard Hodgkin, Mr. and Mrs. Patrick Caulfield, 1969 – 1970 (Gulbenkian) |
Deixar os sacrifícios nas trevas do sangue.
Um jardim no húmus do conhecimento,
a flor-de-lis sob a luz da misericórdia.
No fogo da memória, crepitam os meus olhos.
Ávidos de água, toldados de terra.
As ruas despiram-se de transeuntes.
São um excesso no sobejo do universo,
a métrica lexical na gramática da errância.
Junho
de 2026
sábado, 6 de junho de 2026
Impressões 135. Na floresta
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| Moritz Nähr, Waldinneres, 1891 |
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Ecos da Primavera 9
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| Mily Possoz, sem título (Gulbenkian) |
O princípio da palavra é a voz da verdade,
raiz mergulhada no solo do mistério,
um salto sobre a fronteira do sem sentido.
Não desvio os ouvidos do rumor antigo,
do que chega e ilumina a minha casa.
O vento fresco da manhã corre nas ruas,
levanta a poeira esquecida,
a verdade na palavra perdida no mundo.
Junho de 2026
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Ecos da Primavera 8
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| Hein Semke, Paisagem, 1957 (Gulbenkian) |
Da pedra dura, nasceu a água infinita
e das areias do deserto sem nome
um caminho de sombras sob o punhal solar.
Fixo o olhar no horizonte, um silvo abre
o céu primaveril ao azul do Estio.
A cidade descansa poisada no calendário,
dormita pelas ruas cobertas de pétalas
caídas em segredo dos jacarandás em flor.
Junho de 2026
terça-feira, 2 de junho de 2026
Meditação breve (212) Preparação
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| John A. Hodges, The Day was Nearly Done, 1895 |
segunda-feira, 1 de junho de 2026
Ecos da Primavera 7
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| Fernando Lemos, Pedras, 1949 (Gulbenkian) |
Sob o sol de Junho, a pedra repelida
será no fim do dia exaltada.
Pedra angular no segredo do silêncio.
Abro a porta ao êxtase da aurora,
ao orvalho deixado pela fadiga da noite.
Os martelos do mundo batem em furor,
abrem o silvo da cidade
ao florescimento das constelações nocturnas.
1 de Junho de 2026
domingo, 31 de maio de 2026
Ecos da Primavera 6
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| João Queiroz, sem título, 1999 |
Um caos sem fronteiras é o mundo,
mas nele arde a púrpura da redenção,
o sangue de ouro do cosmos a vir.
Perscruto a seiva na luz das tílias,
o vento crestado dentro da minha voz.
A cidade cai na armadilha do domingo.
Dedilha as horas no azul do céu,
no êmbolo dos carros presos no alcatrão.
Maio de 2026
sábado, 30 de maio de 2026
Micronarrativa (82) O campo
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| Autor desconhecido, Picnickers enjoy a Meal, 1899 |
sexta-feira, 29 de maio de 2026
Ecos da Primavera 5
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| Bernardo Marques, Primavera |
Está próximo o fim de todas as coisas,
da rosa que é, da treva que não é,
do ardor que se aproxima, da luz que vai.
Peso as palavras na balança da memória,
teço um clarão sobre o que se avizinha.
A Terra é um pássaro sonolento e rodopia,
esquecida na poeira da Primavera,
na cintilação do hóspede perdido na noite.
Maio de 2026
quinta-feira, 28 de maio de 2026
Signo sinal 35. Sombras
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| Victor Palla, sem título, 1990 (Gulbenkian) |
quarta-feira, 27 de maio de 2026
Ecos da Primavera 4
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| António Palolo, sem título, 1972 (Vídeo) (Gulbenkian) |
A palavra, íntegra semente germinada
no súbito solo da eternidade:
Erva que não seca, flor que não cai.
Acordo sob o império da fala,
estendo os braços para o oiro da língua.
A Primavera solfeja no furacão da cidade,
irrompe na quietação da boca –
um mundo de sons sombreia a esteva e o vento.
27 de Maio de 2026
terça-feira, 26 de maio de 2026
Ecos da Primavera 3
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| René Bertholo, Pintura, 1959 (Gulbenkian) |
Erguer das águas o assombro do sentido.
Erguer das pedras o prodígio do canto.
Erguer do incêndio o incenso do louvor.
Abro caminho com a fragilidade das mãos,
o ar com a madrepérola da manhã.
A cúpula do mundo ferve sob o sol de Maio.
As tílias cintilam, espalhando sombras
sobre o dorso dormente da tenaz do tempo.
quinta-feira, 2 de abril de 2026
Ecos da Primavera 2
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| Frances Hodgkins, Church and Castle, Corfe, 1942 |
O memorial de pão e vinho rasgou
a noite e abriu a morte
ao rumor da ressurreição.
Olho o vacilar do silêncio,
a palavra soletrada no esquecimento.
O bosque ao longe cresce para o sol,
traça uma muralha de vento
onde dia desagua no delta da eternidade.
Abril de 2026
segunda-feira, 30 de março de 2026
A memória do ar (47)
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| Alfred Eisenstaedt, View of Midtown Manhattan. Circa 1939 |
sábado, 28 de março de 2026
A sombra da água (47)
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| Charles Job, Drifting, 1907 |
terça-feira, 24 de março de 2026
Geometrias de fogo (47)
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| Andrew Dasburg, Chantet Lane (1926) |
sábado, 21 de março de 2026
Ecos da Primavera 1
quinta-feira, 19 de março de 2026
O Espírito da Terra (47)
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| Vincent van Gogh, Casa de campo con árboles, 1885 |
terça-feira, 17 de março de 2026
Biografias 42. A mulher-arbusto
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| Imogen Cunningham - Dream Walking, 1968 |
domingo, 15 de março de 2026
Câmara discreta (34)
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| Edward Steichen, Portrait, 1905 |
sexta-feira, 13 de março de 2026
Viagem de Inverno 12
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| Manuel Filipe, Inverno-Primavera , 1978 (Gulbenkian) |
Nuvens no céu tecem-me a nostalgia
do corpo mergulhado na poeira do calor.
Virá o espírito na opulência da oliveira
e derramará perfumes do Líbano.
O Inverno soletra as últimas palavras.
A voz do tempo abre-se ao júbilo da alvorada.
Março de 2026
quarta-feira, 11 de março de 2026
Arqueologias do espírito 39
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| Anónimo Bizantino, Pentecostes, 1537 |
segunda-feira, 9 de março de 2026
Impressões 134. Um olhar
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| William Henry Jackson, El Capitan, Yosemite, 1889 |
sexta-feira, 6 de março de 2026
Viagem de Inverno 11
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| Miguel Flávio, A cidade ao pôr-do-sol, 1967 (Gulbenkian) |
O corpo solicita-me a erva das ruas
e o saibro ígneo do entardecer.
A parábola dos vinhateiros abre um tonel
de sangue no caminho da inocência.
O mundo respira sob o saibro das ervas
o vinho da morte e o vítreo vento das glicínias.
Março de 2026
quarta-feira, 4 de março de 2026
Meditação breve (211) O gato
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| Oskar Kokoschka, Amantes con gato, 1917 |
segunda-feira, 2 de março de 2026
Viagem de Inverno 10
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Micronarrativa (81) A noiva
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| Julia Margaret Cameron, Enid, 1874 |


















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