quinta-feira, 1 de outubro de 2026

A sombra da água (51)

Ludwig David, Canal bei Delft, 1901

Os canais oferecem-se como caminhos. Por eles, vagueiam barcos que transportam memórias, desejos, paisagens antigas, cujos nomes se perderam à sombra da água. Ali os dias passam mais devagar. Uma demora visceral apodera-se deles e rouba-os à urgência do tempo. Por vezes, amantes inclinados para o seu amor sentam-se nas margens. Olham e vêem o seu amor entregue ao império líquido da lentidão.