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| H. R. Taylor, Easton’s Beach, 1891 |
O bater das ondas rasga o coração, abre-o para a linha do horizonte, para um além que ainda não tem nome. Nome que há-de vir mais tarde, muito mais tarde, séculos, milénios depois de a coisa se tornar presente na consciência. O vento tocava as águas, encapelava-as, as ondas vinham e desfaziam-se contra as rochas. Dentro dos homens que assistiam ao espectáculo ouvia-se o sopro do vento, como se ele viesse do coração e abrisse o corpo ao mistério do espírito, esse que só muito depois ganhou um nome, ardente como o vento, inquieto como as ondas, poderoso como a substância que extrai a vida da matéria inerte.

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