sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Arqueologias do espírito 42

Felix Vallotton, Le Vent, 1910

Perante o indomável arbítrio do vento, os homens sentiram a presença de uma autonomia nunca subjugável e de uma liberdade que necessidade alguma limitava. Ele sopra de onde quer e para onde quer. Essa força, porém, também a encontraram em si mesmos, no mais íntimo de si. Neles também existe um vento que sopra não sabem de onde, nem para onde os quer levar. Chamaram espírito a essa liberdade que age dentro de cada um. Perante ele, sentem temor e tremor. Aquela liberdade parece-lhes uma deusa caprichosa e irrefreável.

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