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| Charles Job, Drifting, 1907 |
A água é como um espírito oblíquo. Enviesa o olhar para que as sombras poisem sobre ela, alimentando-a com uma vagarosa exaltação. Corre sem pressa, transportando os sonhos que não sonhou. Cansada, repousa trémula quando a noite se abre no horizonte. Sabe o seu destino, pois de onde veio ali voltará, num eterno retorno determinado pela natureza do espírito que a habita.

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