sexta-feira, 8 de março de 2024

Sonetos de Inverno (11)

Mário de Oliveira, Lucalena de las Torres, 1967 (Gulbenkian)

Uma voz sediciosa soletra

a palavra e a revolta de Inverno.

As estrelas rodopiam ao vento,

astros mudos no silêncio da sombra

 

Apressado, veio Março tomado

pelo canto dos antigos profetas.

Folhas mortas, castas, caem das árvores,

sussurrando sortilégios e espantos.

 

Pelas frias avenidas de Inverno,

do silêncio soletrado virão

inocentes as palavras de sal.

 

Auspícios descem de bocas caladas.

Os profetas são agora estátuas

nos jardins onde os mortos se calam.

 

Março de 2024

Sem comentários:

Enviar um comentário