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| Francesca Woodman, Space 2, 1976 |
terça-feira, 12 de novembro de 2019
Meditação Breve (115) Verdade
domingo, 10 de novembro de 2019
sexta-feira, 8 de novembro de 2019
A mulher de braço florido
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| Irving Penn, Woman with Roses on Her Arm, 1950 |
Naqueles dias em que o mundo, depois de ter desabado, parecia ter um futuro pela frente, ela era a mais elegante das mulheres da roda em que vivíamos. De certa maneira, todos os homens a cortejavam, uns mais exuberantes, outros mais dissimulados. Ela sorria. Nunca a cortejei, mantive dela uma certa distância, escudado numa formalidade já inabitual naquele tempo. Um dia estava ela no vão de uma janela do clube que frequentávamos e o sol iluminava-a de uma forma estranha. Estava belíssima. Cheguei perto dela, olhou-me e sorriu. Perguntei-lhe sem mais se queria casar comigo. O braço dela floriu quando o toquei com os meus dedos. As crianças que ali vê a brincar são as nossas netas.
quarta-feira, 6 de novembro de 2019
Haikai do Viandante (381)
segunda-feira, 4 de novembro de 2019
Diálogos morais 26. O bem e o mal
sábado, 2 de novembro de 2019
O sal do silêncio (30)
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| Lord Snowdon, British royal Princess Margaret, Countess of Snowdon, 1967 |
A sombra é um silêncio de onde brota a clara claridade da luz. Se por instantes a olhamos de frente, logo todo o nosso ser retrocede para aqueles lugares onde a luz se dissimula e nos oculta tudo o que há de terrível na beleza.
domingo, 27 de outubro de 2019
Meditação Breve (114) Monstruosidade
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| Wolf Strache, Kurfürstendamm After a Major Air Raid, Berlin, 1942 |
O que é a guerra? É o tempo em que até a mais pacífica das pessoas ou a mais benévola das mães se transforma num monstro. Num tempo desses, a monstruosidade não é o mero produto da perda da razão. Pelo contrário, é o imperativo que a razão, como técnica de sobrevivência, impõe ao mais sensato dos mortais.
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
Meditação Breve (113) Uma sombra
segunda-feira, 21 de outubro de 2019
sábado, 19 de outubro de 2019
Micronarrativa (26) Fim
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| Lee Miller, Woman with hand on head, 1932 |
Agora tudo terminou. Dantes, para compensar a perda, recorria a um adágio despropositado. Só termina o que nunca começou. Usava-o para me iludir, para negar a realidade. Os anos passaram e os aforismos não conseguem já ocultar a verdade. Partiu e eu não posso negar nem o começo nem o fim. Dói-me a cabeça. Talvez a realidade seja demasiado dura para bater com a cabeça nela. Só termina aquilo que um dia começou.
quinta-feira, 17 de outubro de 2019
Poesia do Viandante (744)
terça-feira, 15 de outubro de 2019
Meditação Breve (112) O Cavalo de Tróia
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| Lovis Corinth, The trojan horse, 1924 |
Uma ilusão pensar-se o Cavalo de Tróia como o artefacto que um inimigo externo colocará à nossa porta para que, seduzidos, o levemos para nossa casa e abramos o caminho para a derrota. Ao sermos concebidos, o Cavalo de Tróia é de imediato parte da nossa herança. Só não sabemos a hora em que o inimigo salta de dentro do seu ventre e nos arrasta para a ignomínia da derrota.
domingo, 13 de outubro de 2019
O sal do silêncio (29)
sexta-feira, 11 de outubro de 2019
quarta-feira, 9 de outubro de 2019
Diálogos morais 25. Olhar para trás
domingo, 6 de outubro de 2019
Poesia do Viandante (743)
sexta-feira, 4 de outubro de 2019
Meditação Breve (111) O grande mistério
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| Alfred Eisenstaedt, Luckauer Strasse, West Berlin, 1979 |
Do outro lado do muro pensa-se sempre existir um mistério, terrível ou fascinante, mas um mistério. Quando o muro é derrubado descobre-se que nem fascinante nem terrível, tão pouco um mistério. Apenas a vida insignificante que leva os homens do berço à cova. O grande mistério é não haver mistério algum.
quarta-feira, 2 de outubro de 2019
Diálogos morais 24. Desfeita
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| Thomas Hoepker, Old man with his pet bird in Ritan Park. Beijing, China, 1984 |
- Nem penses.
- Vá lá, canta. Gosto de te ouvir.
- Detesto encómios, ainda por cima interesseiros.
- Trato-te bem, como sabes.
- Tens a certeza?
- Tenho. Canta um pouco para me animar.
- Não consigo.
- Não consegues?
- Como é possível cantar envolto numa nuvem de tabaco?
domingo, 29 de setembro de 2019
O sal do silêncio (28)
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| Johan Hagemeyer, Pedestrians, 1923 |
Curvadas pelo peso da noite tão próxima, as sombras deslizam sem propósito nem destino. Carregam o mundo no lugar do coração, carregam o vinho do silêncio nos dedos da mão, carregam o barulho das ondas na boca cerrada. Um cego instinto leva-as em direcção à manhã, para que a luz da aurora lhes devolva a memória perdida.
sábado, 21 de setembro de 2019
Poesia do Viandante (742)
sexta-feira, 20 de setembro de 2019
Pintura e haikus (13)
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
Diálogos morais 23. Preocupação
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| Alfred Eisenstaedt, Couple drinking beer at inner tube floating party on the Apple River. Somerset, WI, 1941 |
- Estás com medo que me embebede?
- Não é bem isso.
- Então, temes que faça figuras tristes diante de toda a gente?
- Também não.
- Então?
- É que não sei nadar e, se caio na água, ainda me deixas morrer afogado.
quarta-feira, 18 de setembro de 2019
Micronarrativa (25) Desembarque
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| Alfred Stieglitz, The Hand of Man, 1902 |
Amava-a e talvez isso me tornasse tão desesperado. Há amores funestos. Enquanto as carruagens dançavam sobre os carris a caminho do que ainda era a nossa cidade, ela recusava todo o meu amor. A minha insistência tornou-a desdenhosa. Quando o comboio parou na estação vazia e a porta se abriu uma mão, não juro que fosse a minha, empurrou-a para a plataforma. A viagem continuou. Nunca mais soube dela.
terça-feira, 17 de setembro de 2019
O sal do silêncio (27)
segunda-feira, 16 de setembro de 2019
Poesia do Viandante (741)
domingo, 15 de setembro de 2019
Haikai do Viandante (379)
sábado, 14 de setembro de 2019
Meditação Breve (110) Curiosidade
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| Elliott Erwitt, Chateau de Versailles. Yvelines, France, 1975 |
A curiosidade é um animal esquivo e de desejo inclinado. Louvam-na como uma virtude. Se tivesse para isso o poder colocá-la-ia na lista das grandes perversões. Não é a presença que atrai o olhar e chama pelo coração, mas a ausência que abre a porta para que a mancha negra da curiosidade entre por ela.
sexta-feira, 13 de setembro de 2019
Impressões 41. Mães
quinta-feira, 12 de setembro de 2019
Impressões 40. Noites
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| Ara Güler, Traffic on the old Galata Bridge, Turkey, 1956 |
As noites cortadas pela luz dos faróis e dos candeeiros públicos são a casa onde habitam os fantasmas que, em silêncio, nos atormentam durante o dia. São manchas indecisas de luz e trevas, grandes telas onde pintores desconhecidos pintam as sombras, súbitas ameaças que vindas das águas ocupam, até ao amanhecer, a terra firme.
quarta-feira, 11 de setembro de 2019
Poesia do Viandante (740)
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